O que é um cão terapeuta? Relentina explica

O que é um cão terapeuta? Relentina explica

setembro 8, 2019 4 Por BiaCalais
Crédito:Sophie Kessar

Terapeuta é aquele que oferece tratamento ou atendimento a alguém. Cães são aqueles cuja lealdade e carinho o fazem realizar uma troca de interdependência e cuidados. 

Cães Terapeutas são a união desses dois significados. Eles precisam de cuidados para viver. Uma alimentação adequada, acompanhamento veterinário e até companhia para o bem-estar geral. Mas quem diria que poderiam entregar tanto de volta para os seres humanos? 

Os cães terapeutas entregam seu amor em hospitais, escolas, casas de repouso e até presídios. Fazem um trabalho voluntário com foco nas carências emocionais do paciente, tendo influência na socialização de crianças com deficiência, na auto estima e solidão de idosos em hospitais e asilos e na alegria e positividade de indivíduos com quadros de doenças graves. 

Sua contribuição com a vida humana é tão importante quanto a que damos a eles. E além de tudo…profissional.C

Os cães passam por formação e adestramento para exercer suas carícias com os pacientes. O Cão Cidadão, por exemplo, oferece adestramento a domicílio, acompanhamento comportamental e cursos para terapeutas caninos. É um primeiro passo para aqueles que enxergam um potencial de paciência e socialização em seus cãezinhos e querem saber mais sobre o trabalho voluntário. 

Sophie Kessar é uma voluntária do cão cidadão e coleciona histórias de sua participação no projeto; cães que adestrou, casos que a tocaram, mas principalmente, sua história com a cachorrinha Relentina. 

Relentina explica tudo…

Sophie conta que tinha decidido adotar um cachorro e encontrou a foto de Relentina em um site de adoções na internet. “Foi amor à primeira vista”, relata. Naquele mesmo final de semana, a vida das duas se cruzaram e continuaram amarradas até o fim. Ela se adaptou à casa de Sophie já no primeiro dia, como se aquele lar fosse predestinado pela vida. 

Após algum tempo da adoção, Sophie ingressou no cão cidadão como voluntária e seu primeiro adestramentos foi com sua própria companheira, Relentina. “Para se tornar efetivamente um adestrador, temos que apresentar uma prova final com um cão totalmente adestrado e sabendo vários comandos.” conta, “Resolvi a treinar porque ela já tinha aptidão para o trabalho, sempre amou carinho e interação com outras pessoas e cães.” 

Logo, Sophie se tornou adestradora, e Relentina, uma cão terapeuta.

Elas faziam visitas em diversas instituições, inclusive em um hospital infantil, um grande marco para as companheiras de voluntariado. 

Relentina ajudou muitas vidas. Espalhou afeto, amor e positividade por onde passou. Infelizmente, a cão terapeuta já faleceu, mas as pegadas que deixou estão cimentadas para sempre, principalmente no coração de sua dona. “A Relentina foi puro amor. Tenho dois cães atualmente e trabalho com adestramento há 5 anos. Jamais conheci um cão tão incrível como ela.” 

Uma experiência de vida que muito pode ensinar. Relentina tinha o voluntariado em seu currículo, mas não tinha pedigree. E isso de forma alguma afetou em seu desempenho no trabalho. Sophie ressalta que cães terapeutas podem ser de qualquer raça. Algumas específicas apresentam comportamentos mais previsíveis, mas com os cães vira latas não é diferente. 

Crédito:Sophie Kessar

Sophie começou a treinar sua cachorrinha pois percebeu a personalidade que tinha, e esse é um ponto importante na hora de avaliar a possibilidade de formação de um cão terapeuta. Não tem a ver com raça, mas sim com personalidade. “Os treinos são muito parecidos para qualquer cão, frisando que eles devem ter aptidão para o trabalho”, afirma a adestradora. 

Essa aptidão leva em conta principalmente o bem estar do animal durante as visitas. O pet deve gostar muito de interação com pessoas, ser um cão equilibrado e não estranhar ambientes, objetos e barulhos diferentes, explica Sophie: “O adestramento é essencial para cães terapeutas mas não muda seu temperamento”. 

Mas e esse treinamento, como funciona? 

Além dos treinos de comandos básicos – é importante que eles saibam sentar, deitar e ficar sempre que solicitado – é feito algo muito importante que é conhecido como: dessensibilizar as partes do corpo. Esse treino foca na manipulação de todas as partes do cão para que ele se sinta confortável a ponto de não se importar com qualquer tipo de toque. Novamente é levado em conta o bem estar geral, tanto do terapeuta quanto do paciente. 

Já o processo para se tornar um cão terapeuta varia de ONG para ONG. No instituto Cão Terapeuta, são abertos processos seletivos de uma a duas vezes por ano (confira atualizações nas redes sociais). Primeiro é feito uma apresentação da franquia, lá eles tiram dúvidas e mostram como todo o processo funciona. Os voluntários que tem a intenção de introduzir seus cães no trabalho são avaliados junto com seus animais, e assim se inicia o processo em si, que é composto por algumas etapas. .

É necessário realizar uma prova teórica, uma prova prática e finalmente uma entrevista. Após passar por todos esses passos, há o curso intensivo, que é o acompanhamento de 120 aulas de adestramento com os adestradores da equipe e o treino de um cão escolhido pelo candidato. Por fim, acontece a fase final, com uma última prova teórica e uma avaliação prática feita por alguns adestradores. Esse processo dura em média 4 meses, e nesse tempo o pet precisa ter aprendido alguns comandos básicos e principalmente gostar de socializar. 

Embora eles sejam sociáveis, trabalho é trabalho, e eles também se cansam. Sophie conta que as visitas acontecem de acordo com a disponibilidade do tutor que faz a condução, mas que no geral o cão faz no máximo duas visitas de 45 minutos dentro de um mês. “É um trabalho que demanda bastante energia da parte deles porque no dia da visita tomam banho e fazem o percurso de carro até a instituição. Eles ficam bastante cansados no final da visita.” 

“A Relentina foi puro amor. Jamais conheci um cão tão incrível como ela”

Cansados, mas pintados como heróis por aqueles que tiveram a percepção de seu dia mudada por um acariciar de pelos, uma lambida espontânea e um balançar de rabos sincero. Ao relembrar sobre as jornadas de Relentina, Sophie compartilha: “Era mágico ver a interação dela com as pessoas e enxergar o quanto a visita de um pet pode transformar o dia de alguém”.