O que está por trás dos 30 milhões de animais abandonados no Brasil?

O que está por trás dos 30 milhões de animais abandonados no Brasil?

junho 24, 2019 2 Por BiaCalais

A consciência do ser humano com a vida animal mudou. Há uma nova percepção sobre o tratamento que devem receber, e embora isso seja muito valioso, o número de animais abandonados ou maltratados ainda é drástico. Muitas melhorias ainda precisam ser feitas.

Os últimos dados sobre a quantidade de animais abandonados no Brasil foram apurados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), em 2014. Isso porque além do bem estar do animal, o abandono também alcança níveis prejudiciais ao ser humano, fazendo com que problemas como a Zoonoses, a sujeira nas ruas ou até mordidas de animais que não possuem cuidados adequados sejam questões de saúde pública.


Infográfico que mostra a disposição dos animais abandonados no Brasil. São 30 milhões de animais na rua, 10 milhões de gatos e 20 milhões de cachorros. São dados de 2014 da OMS.
Infográfico sobre a quantidade de animais abandonados no Brasil. Dados de 2014 pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Crédito Infográfico: Beatriz Calais

30 milhões é um número que clama por soluções. E algumas delas já estão sendo colocadas em prática. A castração, por exemplo, é uma ação que cresceu muito nos últimos anos. Com ações de castração gratuitas nos municípios, a própria prefeitura é capaz de diminuir o número de animais que vão nascer e provavelmente crescer nas ruas. Além do mais, é um processo saudável para o animal, capaz de diminuir o risco de diversas doenças, como o aparecimento de tumores e cistos.

Assim, além de uma ação de contingência para o crescimento populacional de gatos e cachorros, a castração começou a ser um procedimento de atenção e cuidado.

Mas também é preciso fazer algo com os animais que já nasceram e estão em condições de rua. E achar uma casa para todos eles é o maior desafio do momento.

Muitas iniciativas de adoção cresceram pelo país; Ongs, abrigos, equipes de resgate e diversos adeptos à causa que conseguem alcançar o consciente popular. Porém, ainda esbarram em muitas problemáticas. Embora muitos se solidarizem com a situação de abandono dos animais, o número de pessoas que os acolhem em suas vidas ainda não está suprindo a demanda.

E isso envolve diversas questões. A situação dos gatos e cachorros se difere bastante, por exemplo. Enquanto a maioria dos gatos domésticos não possuem uma raça específica, essa é uma das características mais marcantes quando se trata de adquirir um cachorro. Apenas 3% das pessoas que possuem gatos os compraram, segundo pesquisa de 2016 da Instituição Fess’Kobbi.  

O imaginário e a questão estrutural invadem essa diferenciação entre as espécies. Ao passo que gatos possuem apenas uma pequena variação de tamanho entre eles, cachorros apresentam diversas estruturas corporais, entre porte pequeno, médio e grande. A impossibilidade de prever o tamanho que um cachorro sem raça definida ficará é uma justificativa muito comum. Pessoas que vivem em apartamentos, por exemplo, dizem precisar de certezas, muito mais consolidadas em animais que possuem pedigree.

Mas além das questões estruturais da moradia, o que está no inconsciente de muitas pessoas é o desejo de possuir uma raça específica. É o famoso imaginário. As pessoas se apaixonam por raças, e vão atrás dessas características na hora de escolher seus animais de estimação. Isso acontece mais com os cachorros do que com gatos, afetando claramente nas estatísticas.  

Infográfico que mostra a distribuição dos cachorros pelo Brasil. Há 132 milhões de animais de estimação no Brasil. 52 milhões deles são cachorros. 41% são adotados. 32% comprados. 27% dados de presente. E por fim, 70% dos que possuem casa tem raça definida. São dados do IBGE e do Fess'Kobbi
Infográfico mostrando a situação dos cachorros nos lares domésticos no Brasil. Os dois primeiros dados são de 2013, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os quatro últimos dados são da pesquisa de 2016 da Instituição Fess’Kobbi. Crédito: Beatriz Calais

Sendo assim, a partir do gráfico, é possível notar que há um número bastante expressivo de animais domésticos no Brasil. E animais adotados também representam uma porcentagem importante nos números. O alerta maior da estatística acaba se concentrando no dilema: raça definida versus vira latas.

Mas essa é uma realidade que apresenta algumas recentes projeções positivas. A fiscalização do mercado de animais de raça está tornando possível ajudar ambos, com e sem raça.

Com o resgate de animais que sofrem maus tratos em canis e nos próprios pet shops vinculados, algumas redes comerciais mudaram suas atitudes.

Um dos casos mais conhecidos foi o da rede Petz, em que após o escândalo de maus tratos no canil parceiro, o dono da empresa decidiu acabar com as vendas de animais de raça em seus estabelecimentos. No lugar dessas exposições, o empresário decidiu promover feiras de adoção em seus pet shops. Atrás dos vidros, apenas vira latas que não precisam de mais do que um acolhimento.

A lei de comercialização de animais muda de acordo com cada município e estado. Porém, tais fortalecimentos nas fiscalizações são uma grande guinada para o bem estar dos bichinhos. Assim, o “mercado animal” pode desinchar e abrir espaço de visibilidade para a adoção de animais sem raça.  

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