Saiba como funciona o atendimento público veterinário

maio 27, 2019 5 Por biacalais

Centro de Controle de Zoonoses de Mogi das Cruzes. Crédito: Beatriz Calais

Membros da família. Com o passar dos anos, os animais domésticos foram mudando seus papéis na rotina familiar. Embora muitas pessoas sempre tenham tido um apego forte á seus animais de estimação, antigamente as coisas eram diferentes. Seja pela forma como eram alimentados, o local onde dormiam ou o atendimento e cuidados que recebiam quando tinham algum problema de saúde.

A questão é que agora não são simples animais, são membros da família. Não são mais bichos, são filhos de quatro patas. Não dormem ao relento, tem uma casinha ou caminha para chamar de seu. E ao sinal de alguma doença? Pode ter certeza que eutanásia não vai ser a primeira opção.

A eutanásia é um procedimento sério, que deve ser acatado em casos especiais, em que a morte sem sofrimento é a melhor opção para aquele animal que não tem mais perspectivas de viver sem dor. Seu princípio básico não era levado ao pé da letra a uns anos atrás. Seja pela falta de recursos da medicina veterinária ou pela visão mais distante que as pessoas tinham dos animais, a eutanásia muitas vezes era colocada em prática sem necessidade.

Ainda era possível tratar, mas isso estava distante dos recursos financeiros, estruturais ou de prioridade de um núcleo familiar. Atualmente, embora muitos ainda coloquem os animais domésticos a margem, a mudança no mundo da saúde animal é gritante. Há uma infinidade de clínicas, especialistas e equipamentos para exames complexos iguais os feitos em humanos. Há oportunidade de tratamento e uma nova chance de viver, mas ainda assim nem tudo corre perfeito.

A questão é que o atendimento particular tem um custo, muitas vezes inacessível para algumas pessoas. Alguns donos se veem de mãos atadas pelo paradoxo de possibilidade de tratamento, com a impossibilidade de pagar por todo esse processo.

No post sobre a história do José, um cachorrinho paraplégico, é citado os esforços de sua dona, Camila Pinotti, para cuidar de suas necessidades. Logo na primeira cirurgia Camila se vê diante de um valor de quatro mil reais. Quatro mil reais para acabar com a dor do José, mas ainda assim, quatro MIL reais. Camila usou da força da internet para arrecadar esse dinheiro, organizando vaquinhas online e doações.

Instagram de José no início de seu tratamento

Mas o gasto não acabou aí. José passa por diversos tratamentos para ter uma vida cada vez melhor: fisioterapia, acupuntura, ozonioterapia, laserterapia, eletroacupuntura e hemoterapia. Todos esses tratamentos aprofundados são pagos.

Ainda existem dificuldades no atendimento veterinário público. Em São Paulo, capital, há três opções mais procuradas para atendimento gratuito ou mais acessível:


Hospitais Veterinários (ANCLIVEPA)

Existe dois hospitais veterinários públicos em São Paulo: o da Zona Leste e o da Zona Norte.

Unidade Zona Leste: Av. Salim Farah Maluf, esquina com a Rua Ulisses Cruz, lado par, Tatuapé São Paulo/SP

Telefone: (11)2291-5159

Unidade Zona Norte: Av. General Ataliba Leonel, nº 3.194 – Parada Inglesa, São Paulo/SP

Telefone: (11) 2478-5305.

Os hospitais são vinculados a Prefeitura de São Paulo e oferecem atendimento a pelo menos nove especialidades: clínica geral, ortopedia, oftalmologia, neurologia, cardiologia, oncologia, endocrinologia, dermatologia e odontologia. Mas o serviço é prioritário para pessoas sem condições financeiras, sendo assim, além de exigidos RG, CPF e comprovante de endereço do município de São Paulo, é recomendado apresentar documentos de cadastro em programas sociais, caso a pessoa esteja em algum, como o Bolsa Família.

O agendamento das consultas pode ser feito em postos localizados nas próprias unidades e o horário de atendimento em dias úteis  é entre 9h e 15h.

Porém, a possibilidade de fazer um tratamento aprofundado é muito distante. Além de sessões com acompanhamento especializado não estarem previstas no atendimento, como fisioterapia.

ZOONOSES

A Zoonoses, presente em muitas cidades e estados, atende casos específicos a seu objetivo principal. Como o nome já diz, a Zoonoses visa cuidar das doenças transmitidas entre animais e humanos, como raiva e leishmaniose. Sendo assim, seus principais atendimentos são para fiscalizar e controlar tais doenças.

Ela faz outros atendimentos públicos, como a castração, que é muito requisitada, mas não tem estrutura para exames mais aprofundados. Se mesmo assim você quiser tentar um atendimento por lá, pelo menos para passar por uma triagem, é preciso consultar o horário de distribuição de senhas da sua cidade/estado, e a quantidade dessas que serão distribuídas.

Na cidade de Mogi das Cruzes, na grande São Paulo, são distribuídas 10 senhas para casos novos todos os dias, a partir das 08:00h. Segundo a atendente, que não quis ser identificada, é possível passar por uma avaliação no mesmo dia, mas exames, tratamentos e cirurgias entram em uma longa fila de espera. Atendimentos para casos de câncer por exemplo, são muito concorrido, e não há possibilidade de quimioterapia.

Hospitais de faculdades de Medicina Veterinária

Em São Paulo, o hospital de faculdade de medicina veterinária mais conhecido é o da USP (Universidade de São Paulo), criado em 1981. O instituto congrega os Serviços vinculados de cinco Departamentos da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e tem como objetivo o atendimento de casos de interesse didático e científico.

Av. Prof. Dr. Orlando Marques de Paiva, 87 – Butantã, São Paulo/SP

Telefone: (11)3091-1364

O atendimento pelas faculdades é uma opção, mas é importante ressaltar que não é gratuito. A triagem sim é uma avaliação gratuita do animal, mas após o encaminhamento para suas necessidades, é preciso pagar consultas e exames.

Além disso, muitas especializações do núcleo se encontram indisponíveis: castração, exame de ecodopplercardiograma (cardíaco), ultrassom, tratamento para catarata e atendimento odontológico. Ademais, não são feitas cirurgias emergenciais.


São opções válidas, mas não perfeitas. Talvez isso ainda evolua com o tempo, e assim como os animais ganharam seu canto preferido no sofá, também ganhem um sistema de saúde mais organizado.

Enquanto isso, algumas pessoas se empenham em ajudar como podem. Veterinários que reduzem seus custos para atender um animal necessitado, vaquinhas e rifas que conseguem arrecadar valores importantíssimos e projetos que visam doar para aqueles que não podem pagar.

A própria Camila Pinotti, dona do José, participa de um desses projetos. Junto com mais algumas “mamães” de animais cadeirantes, elas criaram um grupo privado chamado “Amigos de rodinhas”, e combinaram de juntar 10 reais por mês de cada participante para comprar cadeiras de roda da marca Max Locomotion e doar para cães necessitados.

“Por mês a gente vai conseguir uma cadeira, se Deus quiser”, diz Camila. E de passo em passo, de pegada em pegada, as conquistas vão sendo feitas. Mais do que uma cadeira, uma vida mais feliz para um membro da família mais do que especial.